O Memorial Rezende Barbosa é um dos co-realizadores da Mostra o Lixo, promovida pela CIRCUS (Circuito de Interação de Redes Sociais), e trará para Assis uma exposição de artes plásticas que está sendo concebida especialmente pela artista Thaís Gil (São Paulo).
Thaís Gil Bacharel em Belas Artes pela Universidade Estadual de Santa Catarina (2008) mostra especial interesse pela figura humana, componente central de grande parte de sua obra. Preocupa-a profundamente a anatomia, da qual ela é uma grande estudiosa, o movimento do corpo e sua forma de expressar-se.
Parte de uma base científica do desenho do corpo. Em função do que quer transmitir em cada obra, ou da composição, vai reduzindo os elementos a suas linhas mais básicas sem perder seu realismo. Igualmente aplica esta forma de trabalhar nas arquiteturas, paisagens e objetos que representa.
O resultado são obras nas quais se combina preciosismo de detalhes com esquematização e estilização. As composições se sustentam em poucos elementos e, muitas vezes, simplesmente estão articuladas pela cor e as diferentes texturas.
Tecnicamente a base de seu trabalho é o desenho, que funciona autonomamente ou combinado com diferentes técnicas. Pintura, colagem ou, o que chegou a caracterizar parte de sua carreira, o trabalho com materiais têxteis são ferramentas que têm servido também para explorar o âmbito da moda e o design.
Em seus trabalhos pessoais a temática aborda principalmente a condição humana. Sobre um cenário despropositado, suas histórias nos falam dos sentimentos humanos mais básicos. Mesmo compondo figuras animais ou botânicas, existe um exercício de “humanização” pela forma, pela representação do olhar e concepção da imagem. Em uma de suas coleções Thaís Gil recolhe colchões abandonados nas ruas e intervém sobre eles retratando personagens consideradas como “lixo social” em nossa sociedade – moradores de rua, mendigos, prostitutas (foto), etc… O cheiro de mofo, urina e outros odores pútridos resultado do abandono das inutilidades da rua são preservados fazendo com que o espectador experiencie não apenas sensações visuais, como também o odor que emana de sua arte.
Sua destreza formal e técnica, sua estética pessoal atrativa, de conteúdo e expressividade substanciam seu trabalho. Isto gera produções únicas, que podem destacar-se sobre os mais variados meios e suportes, desde trabalhos publicitários a contextos de maior profundidade e riqueza de significado poético.
Proposta de exposição de Pintura/Instalação.
Esta proposta de trabalho vem fazer parte da Mostra o Lixo…
Usando lençóis em estampas variadas, a proposta consiste em usar estas peças já em uso e/ou desgastar propositalmente suas cores em determinados pontos. A pintura intervém por toda a superfície.
Sobre esse material figuram corpos nus abraçados a produtos industrializados. Ou em posição de prece. Também poderiam ser figuras humanas em posição de reverência.
Estas estampas, por serem padrões pode sutilmente aludir à repetição de formas de pensamento, hábitos, padrões de conduta, paradigmas que estamos trazendo à tona quando o assunto é produzir e encaminhar nossos resíduos sólidos sempre da mesma forma, ou consumir de forma padronizada, conduzindo artificialmente nossas ações. Daí um paralelo na sutil alusão que é feita com as padronagens (repetição de formas impressas no tecido).
Os corpos abraçados às embalagens, na verdade, não mostram o produto em si, mas entoa uma forte diferença no tratamento da pintura entre um e outro. O contraste da pele com o material industrializado, em tratamento e cor na pintura, também é uma forma intencional de aludir-se a diferentes ciclos de existência. As figuras humanas agarradas aos objetos também fazem menção a questões em torno da impermanência da vida, e do sentimento de fetiche, presente no exercício de posse sobre artigos.
Ainda, transmite pela própria natureza e estado do material, uma sensação de fragilidade.
“O suporte das pinturas em questão me remete ao sono enquanto estado de letargia, de inércia, também à fragilidade humana e faz a contraposição do orgânico/industrial” – reflete a artista plástica. Ela conta ainda que, as imagens pintadas sobre os lençóis serão de pessoas nuas, não ambientadas, mas tendo em comum o fato de que todas elas carregam algum invólucro no corpo, e seguram embalagens sugerindo gestos de proteção ou adoração pelas embalagens. Tais figuras humanas estarão em escala real nos lençóis, que estão por sua vez dispostos verticalmente, presos entre si pelas extremidades superiores fechando um círculo aberto por fendas nas laterais dos lençóis. As extremidades superiores por sua vez devem estar presas a um fio ligado ao teto, de modo a formar uma fileira pelas laterais da sala ou um círculo fechado, flutuando no espaço por fios de nylon.
Arte em seus lençóis
Para a produção de sua exposição, Thais Gil está fazendo uma campanha de arrecadação de doações de lençóis usados pelo facebook, que estejam em bom estado e estampados de preferência. Não há necessidade que sejam conjuntos, nem de determinado tamanho ou podem até estar meio puídos… “será mais interessante até” – afirma. Se for por São Paulo a própria Thaís Gil poderá buscar. Em Assis, o contato para entrega pode ser feito com Ricardo Abussafy e em Florianópolis com Gabriella Pieroni . Será um projeto de instalação/pintura para a MOSTRA O LIXO e terá sua exposição no Memorial Rezende Barbosa, a ser realizado em Assis -SP durante os dias 1º e 30 de junho.
Aguardamos a colaboração de todos e agradecemos!!!
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