Exposição ‘… do ínfimo ao in(inter)rupto: corpos-eclosão…’

É…

Hoje a “vida está por um fio”… mas ela sempre esteve.

A Mostra o Lixo convida todas(es)(os) à visitarem (entre os dias 01 a 30 de abril) a Exposição ‘… do ínfimo ao in(inter)rupto: corpos-eclosão…’, curadoria de Anna Behatriz Azevêdo, composta pelos trabalhos artísticos de Âmbar Pictórica, Anna Behatriz Azevêdo, Glayson Arcanjo e Vinícius Figueiredo, artistas residentes no Estado de Goiás. 

No programa da exposição, temos também a Ação Educativa ‘(des)construção do olhar para o lixo invisível’, criada pelo arte-educador Haroldo Di Piedro  e participação do artista Ubiratan Costa com suas poesias.

A proposta tem como fio condutor trabalhos (imagens, vídeos, poesias) que, alinhavados entre si, dão passagem a sentidos como processos de envelhecimento, dúvida se é ‘preciso’ estar viva(e)(o), eclosões dos/nos corpos, emaranhados ininterruptos de vida e morte. A curadoria é da artista-pesquisadora Anna Behatriz Azevêdo.

Para visitar a Exposição e participar da Ação Educativa acesse o link: https://corposeclosao.wixsite.com/exposicaoficial

Data: 01/04 a 30/04

Curadora: Anna Behatriz Azevêdo tem 34 anos, nasceu em Goiânia (GO). Mora e trabalha na mesma cidade, formada em Artes Visuais e Mestra em Arte e Cultura Visual pela Faculdade de Artes Visuais (FAV) – UFG. É professora substituta na Faculdade de Educação (FE) – UFG. Desde 2005 produz trabalhos artísticos que transitam entre as artes visuais e as artes da cena, dando passagem para refletir sobre o corpo através da perspectiva da relação, em que corpos são capazes, pelo viés da percepção e sensação, de produzir afetos e eclosões em meio a ideias de absurdo, emaranhados de vida e morte em que o corpo pode ser deslocado do lugar de mero instrumento e ferramenta artística para o lugar da experiência e re-existência. Tem produção em performance, videoarte, fotografia, desenho e dança, apresentou trabalhos em países como o Brasil, Bolívia e Cabo Verde. Ministrou oficinas de processo de criação e corpo como: “Vivência Corpo-Cabelo” e “Potência Estilhaço”. Dançou no Nômades Grupo de Dança entre os anos de 2005 a 2009.

Arte-educador: Haroldo de Araújo – nome artístico Haroldo Di Piedro, graduado em Licenciatura em Artes Visuais pela Faculdade de Artes Visuais FAV/UFG e  Licenciatura em Artes Cênicas  pela Escola de Música e Artes Cênicas EMAC/UFG. Foi pesquisador e bolsista PROLICEN com o tema: Ações Educativas em Museus. Os trabalhos finais de graduações tiveram os seguintes temas: FAV/ UFG – O Desenho Como Meio Comunicacional De Crianças Com Deficiência Visual. EMAC /UFG – Autoconhecimento, Alteridade E Consciência Da Diversidade Cultural Por Meio Da Prática Teatral. Pós- Graduado em Letramento Informacional pela Faculdade de Informação e Comunicação FIC/UFG com o tema de pesquisa: O uso de projetos na educação como forma de desenvolvimento do letramento informacional. Atua como ator e pesquisador do Grupo de Pesquisa e Teatro Máskara e professor efetivo de Artes Visuais da Rede Estadual de Educação do Estado de Goiás.

Sinopse da exposição:

Nas vibrações mais ínfimas da existência, das histórias, das memórias, dos corpos, do presente, fios de vida e morte se formam e se desmancham ininterruptamente. Por vezes não percebemos seus movimentos se pouco atentamos às pausas para senti-los, até que um emaranhado destes fios eclode de um conjunto de partes ou se espalha por todo ele e, assim a prova pode ser cabal. O corpo desfalece, seja por vias de desaparição, seja para uma transmutação.

Fios também são, por vezes, estruturantes das materialidades, das estruturas. Puxemos um fio e tudo pode cair por terra, nada singelo, bastante grave, escuta o som…! Nas ruínas revestidas de ordem, as vidas inflamam e latejam. Quais vidas?

… por debaixo dos escombros, o processo de envelhecimento e a dúvida se é preciso estar viva(e)(o) gritam silenciosamente… amanhã talvez, continuarão gritando…

E nas superfícies dos escombros o buraco das ruínas se faz presença. Nas superfícies dos corpos nascem ranhuras profundas e germes inquietos.

Os fios tesos, flexíveis e os da fuga, fazem parte da exposição ‘… do ínfimo ao in(inter)rupto: corpos-eclosão…’ e da Ação Educativa ‘(des)construção do olhar para o lixo invisível’. Os trabalhos de Âmbar Pictórica, Anna Behatriz, Glayson Arcanjo, Vinícius Figueiredo, Haroldo de Araújo, Ubiratan Costa compõem este emaranhado de vida e morte.

Anna Behatriz Azevêdo

Artistas:

ÂMBAR PICTÓRICA  

Âmbar Pictórica tem 25 anos e mora em Guapó (GO), é graduada em Comunicação Social e artista independente. Experimentadora de linguagens diversas, com foco na performance como propulsora de sua produção. Investiga o corpo, da carne à mente, seus atravessamentos sociais, possibilidades de transfiguração e transformação de narrativas coloniais de gênero, raça, padrões de beleza. Se relaciona à espiritualidade yorubá-brasileira, como posicionamento político e expansão da concepção de existência neste planeta.

O despertar para a arte acontece quase simultaneamente ao reconhecimento do meu gênero: inexistente. Descobri não ser homem ou mulher, descobri que sou arte. Me interessa fazer das produções, rastros autocentrados da minha existência marginalizada, preterida. Abstrata como muitas vezes sou tratada pelo social, é como me ponho: borrões de tinta, cores escorridas, gambiarras fluídas. Reivindico na arte, como ferramenta de sobrevivência, o direito de ser reconhecida enquanto não-humana, não-binária.

 A inspiração parte da intimidade, de experiências pessoais, como poética de resistência ativa, que é coletiva em diferentes maneiras, à outras pessoas trans e racializadas. Esmiuçando as delicadezas brutais da vida, no caminho antibinarista,  em busca do que é negado em estrutura. Escancaro minha realidade: a precariedade de condições de vida, a patologização psiquiátrica, as fragilidades do ego, a compulsória pulsão de vida-morte, o êxtase de se dançar com o caos.

ANNA BEHATRIZ AZEVÊDO

Antes de Ana e Waldir se darem conta de minha aparência, notaram que meu primeiro começo na gravidade fora do útero de Ana era cabeludo. Nasci com um jardim escuro na cabeça, este escuro foi aumentando e mudando de tom ao passo que eu crescia, seja por processos orgânicos ou artificiais. Bem, nada de extraordinário. Mas podemos nos debruçar e repousar no ordinário. O cabelo ao longo da minha vida foi se tornando presença de vários modos como força transmutadora de meu corpo. É junto e através de práticas artísticas que o corpo-cabelo se faz presença. É formada em Artes Visuais e Mestra em Arte e Cultura Visual pela Faculdade de Artes Visuais (FAV) – UFG. É professora substituta na Faculdade de Educação (FE) – UFG. Desde 2005 produz trabalhos artísticos que transitam entre as artes visuais e as artes da cena, dando passagem para refletir sobre o corpo através da perspectiva da relação, em que corpos são capazes, pelo viés da percepção e sensação, de produzir afetos e eclosões em meio a ideias de absurdo, emaranhados de vida e morte em que o corpo pode ser deslocado do lugar de mero instrumento e ferramenta artística para o lugar da experiência e re-existência. Tem produção em performance, videoarte, fotografia, desenho e dança, apresentou trabalhos em países como o Brasil, Bolívia e Cabo Verde. Ministrou oficinas de processo de criação e corpo como: “Vivência Corpo-Cabelo” e “Potência Estilhaço”. Dançou no Nômades Grupo de Dança entre os anos de 2005 a 2009.

GLAYSON ARCANJO

Nascido em Belo Horizonte (MG) em 1975. Artista visual. Professor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (UFG). Coordenador da Galeria da FAV. Possui doutorado em Artes Visuais, UNICAMP; mestrado em Artes, UMFG e graduação em Artes Plásticas, UFU. Tem participação em residências artísticas, salões de arte, exposições individuais e coletivas em âmbito nacional e internacional.

UBIRATAN COSTA

Nasceu em Goiânia (GO) em 1990. Dos 11 aos 17 viveu em Boa Vista (RR), cidade onde escreveu os primeiros poemas que integram o livro “As notações do azul”, seu primeiro livro de poemas (ainda em fase de publicação, edição do próprio autor), reunindo textos que datam de 2007 a 2012. É formado em Composição pela Universidade Federal de Goiás (UFG, 2016), Ubiratan também compõe ‘música contemporânea’ (termo genérico e vago que abarca toda a produção da música erudita dos dias de hoje), e através dela, em canções para variadas formações instrumentais e vocais, dá vida a textos próprios e de poetas queridos como Konstatinos Kaváfis e Manuel Bandeira. É integrante do Música Íntima, grupo fundado em 2017, e que reúne jovens compositores residentes em Goiânia, junto aos quais lançou o álbum “Jackhes, meus amores” (2019) e o EP “Reverdecente” (2020).

VINÍCIUS FIGUEIREDO

Nascido em Montes Claros (MG). Residente na cidade de Goiânia (GO). Doutorando em Artes Visuais pela PPGAV (Programa de pós-graduação Artes Visuais), pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Mestre em Arte e Cultura Visual pela Faculdade de Artes Visuais (FAV/UFG). Bacharel em Artes Visuais, com habilitação em Artes Plásticas pela também FAV/UFG. Desenvolve estudos que permeiam a área de concentração: Poéticas Visuais, seus processos e sua articulação teórico-prática. Foi professor convidado no curso de Arquitetura da PUC-GO nos anos de 2012/2013, ministrando as disciplinas de Expressão Gráfica e Ilustração Científica. Professor do curso de Direção de Arte UFG nos anos de 2015/2016/2017, ministrando as disciplinas de Desenho de Observação e Desenho Técnico.

Como artista visual participou de diversas mostras dentro do circuito artístico local, nacional e internacional, tendo sua obra exposta em acervos de museus e galerias em cidades como: São Paulo, Brasília, Braga, Londres, entre outras. Em seu processo criativo, desenvolve trabalhos que versam os seguintes eixos temáticos: imaginários do corpo, ficção na arte contemporânea, representação da morte na arte contemporânea, metamorfoses, erotismo e memória.