Exposição: EXPOSIÇÃO: 2021, UMA LISTA CRESCENTE DE INDESEJÁVEIS

A Mostra o Lixo convida todas(es)(os) a visitarem (entre os dias )  a EXPOSIÇÃO: 2021, UMA LISTA CRESCENTE DE INDESEJÁVEIS

Três artistas, a brasiliense Camila Soato e os londrinenses, Suellen Estanislau e  Tavito França, reunidos pelo curador artista Danillo Villa, ocupando o instagram da CIRCUS compartilhando suas produções, durante todo o mês de abril (de 01 ao 30) quando acontece a MOSTRA O LIXO. Pinturas e desenhos desconcertantes, e mais falas, relatos, leituras, cadernos de anotações, um pouco de suas rotinas. Cada artista postará conteúdos relativos aos seus trabalhos durante uma semana, aproximadamente, e poderão responder perguntas feitas através do instagram da circus. Em comum, todos têm um olhar crítico/irônico sobre nossa resistência para alguns assuntos, algumas experiências e emoções que, por serem contrárias ao gosto médio, por vezes repulsivas, outras dolorosas, escondemos, mas que permanecem sempre ansiosas por um pouco de ar – e elas voltam.

Para acompanhar a exposição, acesse: https://www.instagram.com/circus2001/

Data: 01 a 30 de abril

Curador:

Danillo Villa 

Artista Plástico, Chefe e curador da – DaP – Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina, onde promove exposições a partir de suas pesquisas. Graduado e Mestre em Poéticas Visuais pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Doutor em Poéticas Visuais pela ECA-USP, atuo como professor de desenho e pintura do Departamento de Arte Visual da Universidade Estadual de Londrina – PR desde 1998. Organizador do edital ARTE LONDRINA.Suas pesquisas se desenvolvem em torno das questões do desenho e suas implicações fenomenológicas, derivando em pintura, fotografia e objetos.

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Sinopse da exposição: 

Segundo Freud, [o inquietante é aquela espécie de coisa que remonta o que é há muito conhecido, ao bastante familiar] e que mesmo sendo conhecida contradiz a imagem que queremos de nós mesmos, nos causa embaraço, dúvida e sinalizam uma borda, além  dela  passamos a pisar em um terreno que nossos medos normalmente evitam. Nos lançam numa espécie de incerteza, que nos expõe de alguma forma, e que para criar conforto, seguimos a norma, vestimos nossas máscaras, que funcionam muito bem, mas até certo ponto. Esta exposição é sobre isso. Sobre a sensação que experimentamos quando algo que deveria permanecer oculto aparece. Também estamos falando sobre o julgamento, que cria o outro, e desta maneira nos livra de encararmos os nossos próprios demônios.

Segue uma lista de agradecimentos: aos agressivos, aos intensos, os que não se comportam bem, aos que não se conformam, os que não sabem se comportar à mesa, os bastardos, os ilegítimos, aos que não aceitam o lugarzinho escuro que lhes é reservado, os que não aceitam fazer parte do esquema, às mulheres, os que nos colocam em maus lençóis, os inadequados, os que não são rosinha, os que não aparecem nas propagandas de margarina, os sobreviventes, os indefinidos, os soropositivos, os que não são assunto nas mesas de domingo, os que não serão perdoados, os que não negam seus corpos, a mão dupla, os que discordam dos nossos métodos, os gays, os que gostaríamos que silenciassem, os que insistem em retornar, os que não aceitam ser governados, os que moram em nosso jardim, os que denunciam, os inaceitáveis, os coloridos, os que não tem armas, os que entregam as fragilidades dos sistemas, os índios, os descrentes, os que não queremos em nossos clubes, os que envergonham a família, os que insistem em olhar para outras direções, os que nos envergonham, os que encaram o prazer e a dor, os que nos obrigam a revisar os fatos, os que duvidam, os inimigos, os que traem o lugar comum, os de mau gosto, os que não acreditam na família tradicional, os que não cedem, os que causam sorrisos amarelos, os pobres, os que dependem do sus, os sem modos, os mal educados, os que nos tiram o sono, os que nos embaraçam, os que não votaram em nós, os que não aceitam vender suas almas, os que contradizem, os que libertam, às caixa de pandora, os que amam, os que fazem barulho, aos que comprometem.

Aos que nos deixam espiar parte da verdade.

Danillo Villa 

Artistas:

Tavito França Souza

Vive e trabalha em Londrina, faz desenhos desde que nasceu, auto retratos desencantados, lembrando que a maioria de seus desenhos podem ser transferidos para a  pele, que o artista pensa como um trabalho público, na superfície mais privada – a pele.. O homem é uma besta engaiolada, é uma frase tatuada pelo artista. Seu trabalho como tatuador é autoral, o que significa que há um conjunto de pessoas que deseja perpetuar na pele o desencanto que o artista sente, “contra a igreja, o capital, a monogamia e todas as formas de massificar seres”. Animais pegando fogo, sugerindo espiritualidade, um cristo pintado num muro de Londrina, flores e cobras de uma riqueza de detalhes que já surgem como presença simbólica.

Nascido no extremo leste de São Paulo. Criado no extremo sul de Arapongas. Artista. Pixador. Marginal. 1,80 de altura. Fuma em média 6 baseados por dia. Tatuador. Toma 100mg de antidepressivo por dia. Gosta de cozinhar, dormir e tomar banho quente. Borderline. Vegetariano. 12 cicatrizes. 30% do corpo fechado de tatuagem. Desenha desde que nasceu. Filho de pai preto e mãe branca.

Estudou a vida inteira em colégio público. Entrou na universidade. Artes visuais  – uel. Fez 2 anos de estágio no colégio onde estudou. De exposições tem cada rua que passou.

Suellen Estanislau

O trabalho da artista tem referências diversas, com fabulações marcadamente autobiográficas, filmes do tipo sessão da tarde, biografias de artistas e serial killers, descrição de doenças e bestiários. Registram os perdedores, os adoecidos, aqueles que desenvolvem comportamentos incomuns tentando ser honestos com os sentimentos que os afetam. Seu modo direto de falar sobre esses assuntos, se vê nos títulos de seus trabalhos que inevitavelmente funcionam como ruído, detalhadamente desenvolvidos, indicação do respeito que a artista investe nos assuntos que quer compartilhar, como o fazem os colecionadores.

Vive e trabalha em Londrina – PR,  Formada em Artes Visuais na Universidade Estadual de Londrina. Já participou das seguintes exposições coletivas “Quando vier, por favor me avise” (2014), “Bienal Naïfs do Brasil 2016 – Todo Mundo é, exceto quem não é.” onde recebeu o Prêmio Incentivo (2016), “15º Salão de Arte Contemporânea de Guarulhos” “Festival Camelo de Arte Contemporânea” e “Arte Londrina 5” – Teu Corpo é Luta” (2017)

Camila Soato

A artista usa o termo fuleragem para falar de seu trabalho, que pode ser uma sacanagem (sexual), pessoa na qual não se pode confiar, o mal feito, ou seja, nomeia um conjunto de coisas esdrúxulas para as quais a artista olha como possibilidade narrativa e geradora de imagens para suas pinturas. Cria imagens que pegam de surpresa, quebram o ritmo por descontinuidade, cachorros acasalando, tanto como fato, como por terem sido escolhidas para se tornar pinturas, à óleo, uma das maneiras mais tradicionais de se fazer pintura. Escárnio!

Nasceu em Brasília, vive em Planaltina. Sua trajetória na arte contemporânea se iniciou por volta dos 8 ou 9 anos, foi à feira do rôlo e trocou sua bicicleta por um pangaré. Deste dia em diante vem trabalhando com a noção de fuleragem, conceito cunhado pelo Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos, do qual faz parte, contamina e é contaminada desde 2009. É mestre na linha de Poéticas Contemporâneas em Artes Visuais pelo Programa de Pós-graduação em Artes na Universidade de Brasília. Sua pesquisa poética é direcionada à pintura que escolhe o descuido como potência, e se afasta da assepsia e virtuosismo técnico, abraçando o fuleiro, o tosco e o mal acabado.