Música: Novíssimo Edgar e os Resíduos Sonoros do Interior Profundo

Um solo fértil em seu esgotamento existe, o oeste paulista. Terra de cana, gado e soja…Onde o berrante e o trem já t(r)ocaram, há algo que ressoa destes sons e vibra o chão vermelho e devastado do interior profundo. Poeira que levanta e circula, movimenta e cria.

O que a crise produz num solo tão devastado? Terras tradicionalmente roubadas e exploradas, sempre destinadas à produção do capital. Assim, a convivência com a restrição do espaço e a negação ao acesso não é novidade, apenas sobe com a poeira. Deste movimento emerge uma produção cultural específica, com as linguagens próprias do interior e das periferias que se conectam e criam redes, suas linguagens híbridas anteriores ao período da pandemia, configuram uma nova programação, e a criação se estabelece no contrafluxo da monocultura da produção cultural das feiras agropecuárias. 

A Coletânea assume a metodologia da catação, pensando a catação como estratégia de produção cultural, olhando para os elementos marginalizados que iriam para o aterro, mas que podem ter outra destinação. O que é produzido no interior? Como aparecemos? Quem vive sabe. Assim, a coletânea é inspirada na ação política do movimento social das catadoras de materiais recicláveis que é precursora nesta luta no oeste paulista  A partir desta cultura da catação, que influencia os modos de produção – e vai além, porque propõe um outro modo de relação, pautado na autorganização, criação de redes, na estruturação de uma arteculação – pretendemos aproximar a transversalidade da arte e dar outra destinação para os produtos que compõem o cenário, a cadeia produtiva, compreendendo essa destinação dos resíduos para(-)fora dos aterros. Seríamos o rejeito do mercado e a catação a ação coletiva e autônoma de nova destinação? A catação, ato de selecionar o resíduo reciclável do rejeito, é nossa estratégia de promoção cultural, produção alternativa, daquilo que é de outra ordem, que retorna de outro jeito a cadeia produtiva. 

Composição musical de diferentes ritmos, reunidos nessa Coletânea Catação ou Sobre os Resíduos Sonoros, os sete títulos musicais, coletivos, artistas e bandas autorais afinadas nesta escala polifônica. Convidamos para este ciclo de notas Novíssimo Edgar e sua literatura audiovisual literalmente metafórica.

Com vocês:

Edgar: Rapper futurista, alienígena, multi artista e criador de máscaras e figurinos a partir do upcycling, apareceu na cena urbana brasileira em 2018 com Ultrassom (Deck), seu disco de estreia produzido por Pupillo (ex Nação Zumbi). Com performances ao vivo de tirar o fôlego, Edgar rapidamente conquistou crítica e público, além de se destacar com duas marcantes participações em discos de Elza Soares e BaianaSystem.

Mocambo Groove – Presidente Prudente

Rabay – Adamantina

Alliblack – Presidente Prudente

Dedilhadas – Assis 

Niel Nigga – Assis

Loko na Boa – Assis 

Vamo Vovó Big Band – Assis 

Produtora e mediadora –  Maria Rita Barcelos: Experimentadora de intervenções artísticas e apresentações musicais, no fortalecimento das expressões culturais no interior profundo, afinada com a música e as artes independentes junto a Vamo Vovó Big Band e Cia Bornal de Bugigangas, ocupa o Ponto de Cultura Galpão Cultural associada a CIRCUS.